O Deus dos aflitos

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[O áudio desta mensagem está disponível no fim do texto]

por Pr. Uagner Nantes

Então um leproso chegou perto dele, ajoelhou-se e disse:
— Senhor, eu sei que o senhor pode me curar se quiser.
Jesus estendeu a mão, tocou nele e disse:
— Sim, eu quero. Você está curado.
No mesmo instante ele ficou curado da lepra. (Mateus 8: 2 a 4)

A bíblia relata que o leproso se aproxima de Jesus, e como sabemos, os leprosos não poderiam se aproximar de ninguém, o ser humano que contraísse tal enfermidade deveria viver isolado. Os leprosos deviam anunciar aos gritos que estavam passando para que as pessoas se afastassem.
Imagine uma pessoa ter que avisar que está passando, de modo a causar repulsa e sensação de que ela era um perigo.
Mas havia alguma coisa em Jesus que não ameaçava esse homem. Se o leproso não anunciasse sua doença e alguém percebesse sua aproximação, então essa pessoa o anunciava, porém era um anúncio para que o leproso fosse apedrejado, porque ele tinha acabando de se tornar uma ameaça ao não dar a chance de as pessoas se afastarem. Mas de alguma maneira, ele vê em Jesus alguém que não o denunciaria, mas o receberia.

Então o leproso se lança com o rosto ao chão adorando Jesus. Isso mostra que Jesus não é apenas um Ser confiável, mas é também alguém que inspira adoração. O leproso O adora e O chama de “Senhor”.
O diabo não quer que você o adore, o que ele quer é que você tenha o desejo de ser adorado. Um título que só podia ser aplicado ao Imperador por ser um título que fala de supremacia, a palavra aqui para “Senhor” é Kiriós, ou seja, não apenas Senhor no sentido de alguém que é dono, mas de alguém que é supremo sobre tudo e todos.
O leproso diz a Jesus: “se for do seu desejo e da sua vontade, que eu fique limpo”. Isso só se diz a um ser supremo, porque um ser supremo não pode ser constrangido, e não deve nada a ninguém, não tem que dar satisfação de nada a ninguém, e não tem obrigação nenhuma de ajudar a quem quer que seja. E o termo aqui querer é o termo que invoca o desejo, “se desejares, se for da sua vontade, se lhe der prazer, podes. Tens toda possibilidade”.

Isso é reconhecer a majestade suprema de Jesus, quando oramos devemos reconhecer que como Ser Supremo, Deus não tem nenhuma obrigação de nos abençoar, mas oramos para buscar o Seu favor, porque todo gesto que vier de um Deus supremo será Seu favor, “porque não estás em constrangimento algum, se te der prazer e for da Tua vontade, só Tu podes”. Ele diz “se quiseres, podes purificar-me”.
O ato de purificar é um ato necessariamente abrangente, ele toca o sintoma e invade a região da causa, purificar é mudar a raiz. É mudar a fonte, onde está o ponto de partida. E Jesus surpreendentemente estende a mão e toca o leproso. E Ele sabia que tocar em um leproso era arriscar-se a ficar doente.

Jesus está comunicando: “Eu quero, não é porque você pede, mas é porque eu gosto de você, e o aceito do jeito que você é. Quero abençoar você, porque você é alguém que eu amo, independente do estado em que você está ou do seu sofrimento.
Eu não preciso purificá-lo pra depois querê-lo, primeiro eu quero e por isso eu purifico.

Então naquele toque, Jesus cura sua identidade. Jesus veio nos buscar não apenas para Deus, mas para nós mesmos, pois como muitos de nós, aquele homem tinha um sofrimento que já se confundia com sua identidade.
É horrível quando a nossa identidade é engolida pelo nosso sofrimento. Quando isso acontece, nós não enxergamos mais quem somos, e aí, não temos mais o que mostrar ou dizer.
Não há nada pior do que quando o sofrimento dá o tom na vida de alguém, quando a pessoa não fala mais nada que não seja sobre seu sofrimento, seu único assunto é o seu sofrimento.

Isso parece que nos aproxima de Deus, mas na verdade afasta, porque quando isso acontece, a coisa mais importante no universo é o nosso “eu”. Não importa se alguém mais está sofrendo, só importa o meu sofrimento, e enquanto o meu sofrimento não for solucionado, ninguém mais me interessa. Logo, o outro não importa.
Ao tocá-lo, Jesus está dizendo ao leproso “você não é o que você sofre e o que você sofre não é você”. E ao tocá-lo, Ele diz: “Quero. Fica limpo!” e imediatamente aquele homem ficou limpo, mas antes disso, Jesus já o tinha tornado limpo de sua amargura, dor e da sensação de rejeição constante.
Se Jesus tivesse apenas liberado a palavra, ainda assim aquele leproso poderia ser curado, mas ele provavelmente pensaria que as pessoas só o aceitavam porque ele já tinha sido liberto.

Após a cura interna e externa do leproso, Jesus diz a ele que vá e não conte a ninguém. Ao fazer isso, Jesus estava dizendo: “Não estou curando você pra que você fale de mim, mas pra que você possa falar de você. Você não é meu garoto propaganda, eu devolvi você pra você, não estou em busca de marketing. Eu vim atender o seu pedido, você estava em busca de si, e eu vim te trazer de volta a si mesmo. Não fale de mim, fale de si, vá ao sacerdote, ofereça sacrifício e diga ao sacerdote: ‘Deus me devolveu a mim mesmo, e eu vim agradecer a Deus’. Fale de um Deus que ao criar você, criou-o para ser e porque Ele o criou, você é.”

Esse é o Deus dos aflitos: capaz de tocar no intocável, ouvir petições apenas por causa de Seu favor e nos devolver a nós mesmos.

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